Mais uma viagem mágica pelo Alentejo. Desta vez até Évora. No leitor de CD's: Chemical Brothers, Peaches, Tiga, Moloko, Radiohead. No prato uma salada de salmão fumado com queijo fresco e um cheese-cake de morango. Mais uma vez, muito obrigado pelo convite e por esse sorriso!
Desde o "Fecha a chamada" ao "Está gelo", ouvimos de tudo. E também Queens Of The Stone Age, Beck, Erykah Badu, Bloc Party, Herbert, Marcelo D2 e Pluto. Fomos à praia, mergulhámos numa lagoa, dormimos uma sesta debaixo duma árvore no meio do campo. Mesmo ali ao lado das cabras e do bode. Comemos caracóis, camarão, febras, princesas, maçãs e pão com paio e queijo. Fizemos planos para ficar a viver por ali, ou perto. Ou então foi tudo um sonho... Não me acordem, por favor!
Caríssimo Senhor Paulo Branco, Se fizer o favor de comprar este filme brasileiro para as salas Medeia, ganha automáticamente a minha renovação vitalícia do Medeia Card. Prometo. Obrigado.
Só dolce fare niente. Do Adamastor ao Jerónimo. Passando pelo Camões e pelo Pessoa. Tango e tosta. Óculos de sol e casacos. Quente e frio. Livros a 0,95€. E esse sorriso. Sempre.
O meu bilhete dizia: Sofia Dinger revela o verdadeiro motivo da sua ida para o Brasil. "Não me dava jeito nenhum ir uma vez por semana ao gourmet do Corte Inglês comprar bolachas de quindim."
E as minhas respostas ao questionário são: 1 - Pseudo-Peruana 2 - Formação da palavra AMIZADE em puzzle humano com a ajuda do público 3 - Achei bem 4 - À toa 5 - Nemo On Ice 6 - Nenhuma 7 - A do meio 8 - Todos 9 - A porta está fechada 10 - Poucas para as vezes que me apeteceu 11 - Salsa Latina 12 - Sim
E agora, uma conclusão: quem viu, viu. quem não viu, não viu.
Para nós. De óculos de sol e "mamma's gun". No jardim das especiarias e nas paisagens dum Alentejo tosco, inseguro. Para ver uma criança cair no jardim e levantar-se sozinha, deixar-se cair e gatinhar. Para comer gelado de caramelo com bolachas e suspiros pequeninos e folhear livros, ler palavras ao acaso. Para sentir a ventania no pontão e observar as gaivotas com sinais vermelhos no bico a boiar e a pescar, em grupo. Para voltar a casa e jantar. Para ir ao teatro e sentar e sentir e sonhar. Juntos. Nos sorrisos e nas lágrimas. Que somos nós. Porque nunca é tarde.
Depois de um dia com os franceses engravatados. Depois de uma reunião para falar de aumentos. Depois de me esquecer dos empréstimos. Depois de tudo e mais alguma coisa, saio à rua, respiro o ar quente no Chiado e vou a ouvir esta música em repeat até casa:
Antiguidade urbana. Paixão do fundo. Grades semanais. Quiosque real. Príncipe da ópera. Rainha no banco. Agasalhos escuros. Anoitece. O vento levanta-se. Eu continuo sentado. À espera. Aqui. Silêncio.
(a solidão, ao contrário da culpa, nunca morre solteira)
"Au fond du temple saint Paré de fleurs et d'or, Une femme apparaît! Je crois la voir encore! Une femme apparaît! Je crois la voir encore!
La foule prosternée La regarde, etonnée, Et murmure tous bas: Voyez, c'est la déesse! Qui dans l'ombre se dresse Et vers nous tend les bras!
Son voile se soulève! Ô vision! ô rêve! La foule est à genoux!
Oui, c'est elle! C'est la déesse plus charmante et plus belle! Oui, c'est elle! C'est la déesse qui descend parmi nous! Son voile se soulève et la foule est à genoux!
Mais à travers la foule Elle s'ouvre un passage! Son long voile déjà Nous cache son visage! Mon regard, hélas! La cherche en vain!
Elle fuit! Elle fuit!
Oui, c'est elle! C'est la déesse! En ce jour qui vient nous unir, Et fidèle à ma promesse, Comme un frère je veux te chérir! C'est elle, c'est la déesse Qui vient en ce jour nous unir! Oui, partageons le même sort, Soyons unis jusqu'à la mort!"
da ópera "Les Pêcheurs de Perles" de Georges Bizet
"It was one of those March days when the sun shines hot and the wind blows cold: when it is summer in the light and winter in the shade..." Charles Dickens
Regresso a casa, ao fim da tarde. O sol desce o céu lentamente, à minha frente. O vento entra por todas as janelas abertas, do eléctrico de madeira. Que abana por todos os lados. Que voa pelos carris. Tenho em mim aquela sensação de cansaço dum dia comprido e do dever cumprido. Se adormecer aqui, não passo da Ajuda.
Passo a passo, pelo compasso. O trombone com o trompete. O piano aqui nasceu. As cordas do violino enroladas. Na guitarra. O contrabaixo marcha ao lado do bombo. Sem destino. Clandestino. Não faz sentido. Faz música. Faz o que quiseres. E leva-te. Eleva-te.